Histórias de Gratidão e Ingratidão

Em tempos remotos, num país distante, vigorava um costume bárbaro e cruel: quando os pais envelheciam, eram levados à floresta e ali abandonados, condenados à morte pela fome e pelo frio. A tarefa cabia ao primogênito — o próprio filho — que conduzia o pai à derradeira viagem.

Certa vez, um jovem acompanhava seu velho pai rumo àquele destino desumano. Comovido, entregou-lhe uma manta para que se protegesse do frio cortante. O ancião, com os olhos marejados e a voz embargada, perguntou:

— Tens contigo uma faca?
— Para que queres uma faca? — retrucou o filho.
— Para cortar um pedaço desta manta. Assim, quando teu filho te trouxer a este lugar, terás com que te aquecer.

Tomado pelo remorso, o jovem recuou. Levou o pai de volta para casa e passou a tratá-lo com carinho e respeito. E ali ele permaneceu, amado, até o fim de seus dias.

Conta-se que, desde aquele dia, nunca mais ninguém abandonou o próprio pai na floresta. A gratidão, sendo uma virtude inata, deveria ocupar o primeiro lugar entre todas. Até os animais sabem ser gratos. Numa noite de tempestade, a floresta se agitava em trovões e relâmpagos. As criaturas buscavam abrigo. Um pequeno vagalume, arrastado pelas águas, lutava inutilmente contra a correnteza.

Eis que, surgido do nada, um passarinho pousou sobre ele, recolheu-o com ternura e o levou para um lugar seguro, protegendo-o sob suas asas até que o temporal cessasse. Dias depois, em seus voos noturnos, o vagalume ouviu gemidos. Aproximou-se e reconheceu seu salvador: o passarinho estava preso por uma pata nos espinhos de um arbusto. O vagalume acendeu sua luz e permaneceu ali, iluminando o caminho até que o amigo se libertasse.

Naquele gesto singelo, resplandecia a mais nobre das lições: a gratidão. A gratidão vive nas atitudes mais simples: no abanar de cauda de um cão, num olhar que reconhece, num silêncio que acolhe. Não exige palavras, nem pagamento. É feita de gestos. Gratidão não é servidão, nem submissão. É dignidade. É decência. É nobreza.

Já a ingratidão é brutal. É o veneno da alma. É recalque, degradação, insensibilidade. A quintessência da crueldade. A marca de uma consciência atormentada.

A ingratidão fere. E dói. Desencanta. Desacredita. Avilta. É cruel, sádica, cínica, desumana.
Quem a pratica, embrutece. Desumaniza-se. E semeia, inevitavelmente, a própria infelicidade.

Autor: Prof. Gilberto Telmo Sidney Marques

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