SINDESP

DIA DA MULHER

Hugo Martins
 
O homem tem mania por dia. É dia disso, é dia daquilo e dia daquilo outro. Inventou até o dia da mulher, mas não criou o dia do homem, talvez porque este não seja viável, não sirva para espicaçar os ímpetos consumistas. Sim, porque quando se criam infinidades de dia é porque alguém está lucrando com alguma coisa,  e muito.
Mas, deixando de lado essas elucubrações, façamos outras mais amenas e menos pragmáticas. As reflexões devem fazer pensar, devem fazer doer. Por exemplo, nunca se perguntou por que se criou um dia dedicado à mulher se o homem sempre pugnou por mantê-la numa posição de inferioridade. Se assim não fosse, não existiriam os indefectíveis exércitos de feministas uivando como hienas e a fala de escritoras a afirmar que a mulher é um produto do devenir histórico como qualquer outra coisa. É só lembrar Simone de Beauvoir, que abre o segundo volume de O Segundo Sexo com a frase” Não se nasce mulher: torna-se.” Pois bem. Não se pode negar que, historicamente, a mulher sempre foi produto de cama e mesa. Só quando se fez necessária à voragem da máquina capitalista, deixou a casa e foi à luta, chegando mesmo a levar publicitários e ideólogos a bolar uma espécie de guerra dos sexos. Nesse faz-de-conta, o homem, sentindo-se ameaçado, criou o malfadado dia da mulher.
 
 Desde então, criou-se em torno da mulher, nesta data de oito de março, uma aura de romantismo em que não se regateia o palavrório estéril; derrama-se a ternura pré-ensaiada; abrem-se as comportas para o escoamento de uma enxurrada de cartões de felicitações e outras baboseiras próprias de um tempo em que o vazio existencial impede o mínimo vislumbre do essencial das coisas, rendendo-se o homem à infeliz vã aparência daquelas.
 
 Por isso, se o homem visse a mulher e a definisse como o poeta definiu a rosa – dizendo que uma mulher é uma mulher, uma mulher, uma mulher, simplesmente e nada mais –  a História continuaria sua marcha, seu devir, e o mundo dormiria em paz. 
 
A mulher quer respeito… Em toda a dimensão semântica desta palavra… 
 
O resto é discurseira inútil.