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Energia Limpa – Principais Impactos Socioeconômicos

JESS – Portal da Notícia – Edição 1.650 – sindesp.org.br

Apesar de ter como objetivo principal a exportação de energia limpa, o hub de hidrogênio verde trará impactos socioeconômicos valorosos para os cearenses. Com as vantagens competitivas relacionadas à estrutura física, logística e tecnológica e a segurança jurídica e de governança do Estado, o consultor de Energias Renováveis Constantino Frate acredita que o projeto “pode transformar a economia do Ceará”.

As mudanças devem começar já na etapa de construção da usina. Durante os anos de instalação, serão contratados cerca de quatro mil trabalhadores, e 400 profissionais devem ser contratados após o início da operação. O número, no entanto, diz respeito apenas ao contrato com a australiana Energix e deve aumentar após a chegada do hub. “Com o hidrogênio sendo produzido em grande quantidade, outras empresas da cadeia do hidrogênio devem ser implantadas no Estado, como as de fabricação e transporte de equipamentos”, lembra Frate.

Desse modo, a instalação do hub contribuirá com os três objetivos do programa Ceará Veloz, que busca acelerar o desenvolvimento econômico e reduzir desigualdades: aumento da geração de empregos e da média da massa salarial e crescimento da participação do PIB do Ceará no PIB Nacional. “Desenvolvemos uma metodologia que prioriza setores que se destacam no estado, através de estratégias como a ambiência de negócios, desburocratização de serviços e o Ceará Digital”, afirma Sérgio Araújo, coordenador de Atração de Empreendimentos Industriais Estruturantes da Secretaria Executiva da Indústria.

A instalação da usina no Porto do Pecém também será decisiva para que o Ceará avance na meta de se tornar o melhor estado para fazer negócios no Brasil até 2050, já que é previsto que as plantas comecem a operar a partir de 2025. Além do complexo e dos equipamentos governamentais, atuarão como parceiros do projeto a Fiec, o Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia) e universidades públicas e privadas que realizam pesquisas na área de energias renováveis.

O Uso Doméstico de Energia Limpa

Por Amanda Araújo

Ainda que a transição para energia renovável nas casas das pessoas seja lenta, há cada vez mais interesse por parte das empresas e dos consumidores. Para quem experimenta transição, economia é grande.

Gerar a própria energia em casa, além do enorme benefício ambiental, reduz as despesas com contas de luz. No futuro, os avanços da transição energética devem chegar ao lar dos consumidores, e nesse ponto o Ceará tem vantagem: sol e vento em abundância. Por enquanto, as experiências são pontuais, mas o movimento em direção a um futuro sustentável é crescente.

A popularização das energias renováveis é uma questão de tempo. E um tempo muito curto, porque as tecnologias evoluem muito rápido, avalia a doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Magda Helena Maya, autora do livro “Sustentabilidade 4.0”. “A questão é que não é que seja absurdamente caro, é que o brasileiro de modo geral tem um baixo poder aquisitivo, e ele tem uma visão mais imediatista, tem uma dificuldade de enxergar investimento de médio e longo prazo. Se eu tenho uma pequena empresa e tenho a possibilidade de daqui a três anos não ter que pagar conta de energia, isso é um investimento, mas eu preciso ter o capital”, explica ela.

O sistema solar fotovoltaico tem tudo para ser a fonte que se expandirá entre os consumidores, segundo o presidente do Sindicato das Empresas Prestadoras de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia-CE), Luís Carlos Queiroz. “Em termos de custos para implantação do sistema, esse é um dos entraves que tem se desfeito ao longo dos últimos anos, uma vez que os preços dos equipamentos de energia solar têm diminuído muito. Além disso, a instalação está cada vez mais ágil”, diz ele.

O que também torna a expansão cada vez mais democrática é a quantidade de financiamentos disponíveis no mercado. Isso permite, conforme Luís Carlos, que pequenas empresas e clientes residenciais das classes B e C consigam ter acesso à tecnologia. “Hoje, não somente as grandes empresas têm acesso à energia solar, pelo contrário, a maior característica de difusão é a capilaridade e o uso de pequenos comércios locais”, frisa ele.

Breno Matias, 32, fez as contas e recentemente instalou sistema solar no terreno onde está a casa dele e mais duas casas de familiares, em Fortaleza. “Fui ao banco no ano passado, e as taxas de financiamento da linha de crédito para energia solar estavam bem atrativas. Fiz um projeto um pouco acima do consumo médio, porque tinha pretensão de aumentar, usar ar-condicionado, fogão elétrico, air fryer e outros equipamentos elétricos para conforto e saúde”, conta.

No caso de Breno, que é analista de negócios de TI, o preço médio da conta de luz caiu de R$ 500 para R$ 50 (apenas taxas de iluminação pública). O valor financiado, cerca de R$ 38 mil, será pago em torno de seis anos, quatro anos a menos da garantia dos equipamentos. Já a Pardal, indústria cearense de picolés e sorvetes, investiu R$ 3,5 milhões em energia solar.

Agora, com a transição energética completa da fábrica no Eusébio, a empresa economiza em energia R$ 40 mil por mês, segundo o gerente de Marketing da Pardal, Erikson Nascimento. “O projeto de energia solar era um dos grandes sonhos da Pardal. O projeto está alinhado com um dos maiores valores da Pardal, que é “Cuidar do Mundo em que Vivemos”. Temos muito orgulho de ser uma empresa cearense com o maior projeto em energia solar do Brasil no segmento de sorvetes e picolés”, afirma o gerente.

FONTE: JORNAL O POVO- EDIÇÕES ESPECIAIS SOBRE ENERGIA LIMPA