{"id":3931,"date":"2025-10-01T17:39:27","date_gmt":"2025-10-01T20:39:27","guid":{"rendered":"https:\/\/sindesp.org.br\/?p=3931"},"modified":"2025-10-01T17:39:27","modified_gmt":"2025-10-01T20:39:27","slug":"historias-de-gratidao-e-ingratidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindesp.org.br\/index.php\/2025\/10\/01\/historias-de-gratidao-e-ingratidao\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias de Gratid\u00e3o e Ingratid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Em tempos remotos, num pa\u00eds distante, vigorava um costume b\u00e1rbaro e cruel: quando os pais envelheciam, eram levados \u00e0 floresta e ali abandonados, condenados \u00e0 morte pela fome e pelo frio. A tarefa cabia ao primog\u00eanito \u2014 o pr\u00f3prio filho \u2014 que conduzia o pai \u00e0 derradeira viagem.<\/p>\n<p>Certa vez, um jovem acompanhava seu velho pai rumo \u00e0quele destino desumano. Comovido, entregou-lhe uma manta para que se protegesse do frio cortante. O anci\u00e3o, com os olhos marejados e a voz embargada, perguntou:<\/p>\n<p>\u2014 Tens contigo uma faca?<br \/>\n\u2014 Para que queres uma faca? \u2014 retrucou o filho.<br \/>\n\u2014 Para cortar um peda\u00e7o desta manta. Assim, quando teu filho te trouxer a este lugar, ter\u00e1s com que te aquecer.<\/p>\n<p>Tomado pelo remorso, o jovem recuou. Levou o pai de volta para casa e passou a trat\u00e1-lo com carinho e respeito. E ali ele permaneceu, amado, at\u00e9 o fim de seus dias.<\/p>\n<p>Conta-se que, desde aquele dia, nunca mais ningu\u00e9m abandonou o pr\u00f3prio pai na floresta. A gratid\u00e3o, sendo uma virtude inata, deveria ocupar o primeiro lugar entre todas. At\u00e9 os animais sabem ser gratos. Numa noite de tempestade, a floresta se agitava em trov\u00f5es e rel\u00e2mpagos. As criaturas buscavam abrigo. Um pequeno vagalume, arrastado pelas \u00e1guas, lutava inutilmente contra a correnteza.<\/p>\n<p>Eis que, surgido do nada, um passarinho pousou sobre ele, recolheu-o com ternura e o levou para um lugar seguro, protegendo-o sob suas asas at\u00e9 que o temporal cessasse. Dias depois, em seus voos noturnos, o vagalume ouviu gemidos. Aproximou-se e reconheceu seu salvador: o passarinho estava preso por uma pata nos espinhos de um arbusto. O vagalume acendeu sua luz e permaneceu ali, iluminando o caminho at\u00e9 que o amigo se libertasse.<\/p>\n<p>Naquele gesto singelo, resplandecia a mais nobre das li\u00e7\u00f5es: a gratid\u00e3o. A gratid\u00e3o vive nas atitudes mais simples: no abanar de cauda de um c\u00e3o, num olhar que reconhece, num sil\u00eancio que acolhe. N\u00e3o exige palavras, nem pagamento. \u00c9 feita de gestos. Gratid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 servid\u00e3o, nem submiss\u00e3o. \u00c9 dignidade. \u00c9 dec\u00eancia. \u00c9 nobreza.<\/p>\n<p>J\u00e1 a ingratid\u00e3o \u00e9 brutal. \u00c9 o veneno da alma. \u00c9 recalque, degrada\u00e7\u00e3o, insensibilidade. A quintess\u00eancia da crueldade. A marca de uma consci\u00eancia atormentada.<\/p>\n<p>A ingratid\u00e3o fere. E d\u00f3i. Desencanta. Desacredita. Avilta. \u00c9 cruel, s\u00e1dica, c\u00ednica, desumana.<br \/>\nQuem a pratica, embrutece. Desumaniza-se. E semeia, inevitavelmente, a pr\u00f3pria infelicidade.<\/p>\n<p>Autor: Prof. Gilberto Telmo\u00a0Sidney\u00a0Marques<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos remotos, num pa\u00eds distante, vigorava um costume b\u00e1rbaro e cruel: quando os pais envelheciam, eram levados \u00e0 floresta e ali abandonados, condenados \u00e0 morte pela fome e pelo frio. 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Numa noite de tempestade, a floresta se agitava em trov\u00f5es e rel\u00e2mpagos. As criaturas buscavam abrigo. Um pequeno vagalume, arrastado pelas \u00e1guas, lutava inutilmente contra a correnteza. Eis que, surgido do nada, um passarinho pousou sobre ele, recolheu-o com ternura e o levou para um lugar seguro, protegendo-o sob suas asas at\u00e9 que o temporal cessasse. Dias depois, em seus voos noturnos, o vagalume ouviu gemidos. Aproximou-se e reconheceu seu salvador: o passarinho estava preso por uma pata nos espinhos de um arbusto. O vagalume acendeu sua luz e permaneceu ali, iluminando o caminho at\u00e9 que o amigo se libertasse. Naquele gesto singelo, resplandecia a mais nobre das li\u00e7\u00f5es: a gratid\u00e3o. A gratid\u00e3o vive nas atitudes mais simples: no abanar de cauda de um c\u00e3o, num olhar que reconhece, num sil\u00eancio que acolhe. N\u00e3o exige palavras, nem pagamento. \u00c9 feita de gestos. 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